Acordo da Raízen: R$ 64 bi em dívidas e o custo para o povo
A Raízen, gigante do setor de açúcar, etanol e combustíveis, fechou o maior acordo de recuperação extrajudicial da história do Brasil. O valor é assustador: R$ 64,7 bilhões em dívidas. Na prática, o acordo envolveu 19 grandes instituições financeiras e mais de 80 detentores de títulos no exterior. Mas, no meio desse tablado de bilhões, há uma história que a grande mídia tenta esconder. Mais de 100 mil CPFs de pessoas comuns, que acreditaram nos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) da empresa, estão na mira dessa engenharia financeira.
Pequenos investidores e a farinha do saco
Enquanto os grandes bancos se protegem e garantem suas fatias, o que sobra para o povo? O acordo determina que 45% das dívidas sejam convertidas em ações da empresa. O preço fixado para cada papel é de míseros R$ 0,25. É um desconto brutal para quem emprestou seu dinheiro suado acreditando na solidez de uma marca como a Shell. Os outros 55%, equivalente a R$ 35,5 bilhões, viram novos títulos. A lógica é clara: limpa o balanço para destravar novos investimentos do grande capital, mas deixa o pequeno investidor com uma moeda de troca desvalorizada.
A Shell entra em campo e a soberania treme
A transferência dos recursos da Shell vai acontecer até março do ano que vem. Até lá, Rubens Ometto, o controlador da Cosan, continua na presidência do conselho. Se a família Ometto não colocar dinheiro junto, a Shell, uma multinacional estrangeira, ocupa três das sete cadeiras do conselho. O restante fica com os credores. É o velho jogo do capital internacional ganhando poder sobre recursos estratégicos do nosso país. A soberania nacional sobre a nossa energia e nosso combustível fica cada vez mais nas mãos de quem não tem compromisso com o povo brasileiro.
Divisão para salvar o lucro e isolar o risco
Outra jogada de mercado é a divisão da Raízen em duas empresas: Raízen Combustíveis e Raízen Energia. A parte dos postos Shell e da logística gera caixa rápido. Já a agroindústria exige investimento de longo prazo. Ao separar as duas, a empresa isola o