Coronelismo no Corinthians: vitalícios barram democratização
A Justiça suspendeu a assembleia geral do Corinthians que aprovaria a democratização do clube com a inclusão do Fiel Torcedor nas eleições. A liminar foi assinada pelos conselheiros vitalícios Ademir Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger. O episódio escancara como uma elite não eleita se apega ao poder para manter privilégios, espelhando a luta da classe trabalhadora por representatividade real nas instituições.
Por que a assembleia do Corinthians foi suspensa?
Esta segunda-feira deveria marcar a reunião da Comissão de Reforma do Estatuto no Parque São Jorge. A pauta era clara: juntar os itens aprovados no sábado, finalizar o documento e levá-lo ao cartório para validar as novas regras do clube. Nada disso vai acontecer. Uma liminar obtida pelos vitalícios derrubou o processo.
Com a decisão judicial, as eleições permanecem restritas aos associados tradicionais, excluindo os torcedores que pagam o programa Fiel Torcedor. O projeto de reforma trazia melhorias amplas para a gestão, mas foi barrado por interesses particulares e pessoas mal-intencionadas que se recusam a abrir espaço.
Como a elite política do clube age contra o povo?
A sabotagem não partiu apenas dos vitalícios. Conselheiros trienais se aliaram a eles, com a conivência de setores do jurídico da gestão. O Conselho de Orientação (Cori) também entrou na jogada. A cada mês, o Cori reforça sua atuação como um poder paralelo e ilegal, movido pela arrogância de seus membros eleitos e pelo senso de impunidade dos natos.
Ainda assim, o papel central nessa trama é dos vitalícios. Apenas três assinaram o pedido na Justiça, mas muitos outros atuaram nas sombras. Ficou escancarado o desserviço que essa função representa para a coletividade. Se no passado romântico do futebol alguém pôde acreditar na boa fé desse cargo, hoje ele sintetiza tudo que o Corinthians não precisa mais.
Eles agem como um verdadeiro Centrão no Parque São Jorge, vivendo às custas de favores políticos e apoiando quem lhes beneficia mais.
Alheios ao crivo popular por não precisarem de votos, eles validam gestões ruins e influenciam momentos deprimentes da história recente. É a velha política do toma lá dá cá, que o povo brasileiro conhece muito bem na esfera federal.
Quem luta contra os privilégios dos vitalícios?
Movimentos pela extinção do cargo ganharam força. O conselheiro trienal Peterson Ruan cobrou que o Conselho Deliberativo indicasse o contexto em que cada vitalício ganhou seu cargo. O pedido foi arquivado. Como retaliação, dezenas de vitalícios assinaram um pedido histérico contra Ruan na Comissão de Ética. Felizmente, a denúncia também caiu.
Há poucos dias, Peterson se uniu a associados em uma ação judicial que pede a extinção do cargo. O timing com a suspensão da assembleia é revelador. Em um mundo ideal, essa ação seria seguida por outras, impulsionadas por coletivos e associados cansados de serem governados por quem não prestou contas às urnas.
Falta coragem a muitos trienais para enfrentar essa elite. Alguns esperam o fim do ano para tentar virar os próximos vitalícios e ocupar as vagas abertas. É a tentação do privilégio, o mesmo vício que corrói a política nacional quando esquecemos de quem elegemos.
Os vitalícios têm medo das urnas?
Os vitalícios que acreditam contribuir positivamente não deveriam temer a democratização. Deveriam apoiá-la. Um Conselho Deliberativo 100% eleito pelos associados faria bem ao clube. Se querem continuar contribuindo, basta se candidatarem. Os bons serviços seriam reconhecidos nas urnas. Ou o medo do voto popular seria mais forte do que o amor ao clube?
Talvez estejamos diante do momento mais vulnerável dessa casta. A assembleia nem aconteceu, mas deixou sua marca. Se essa crise resultar no fim de um cargo que hoje só parasita o clube e seu dinheiro, teremos uma linda herança. A vitória da democracia sobre o coronelismo, no Parque São Jorge, seria também uma vitória do povo.
O que são os conselheiros vitalícios do Corinthians?
São membros do Conselho Deliberativo que não precisam ser eleitos pelos associados. Mantêm o cargo vitaliciamente e possuem poder de voto em decisões fundamentais do clube sem prestar contas à torcida.
Quem suspendeu a assembleia de reforma do estatuto?
A Justiça acatou uma liminar pedida pelos conselheiros vitalícios Ademir Benedito, Alexandre Husni e Guilherme Strenger, impedindo a reunião que validaria as mudanças aprovadas.
O que é o Fiel Torcedor e por que ele quer votar?
O Fiel Torcedor é o programa de sócio-torcedor do Corinthians. A reforma do estatuto pretendia dar direito de voto a esses membros, democratizando as eleições do clube, o que foi barrado pela liminar.
