Greve dos ferroviários em SP: Justiça manda manter 80% dos trens nos horários de pico e multa sindicato em R$ 1 milhão
Por Camila Teixeira, para Vozes do Brasil
Na noite desta segunda-feira (3), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) deu uma liminar que obriga os ferroviários da CPTM a manterem pelo menos 80% dos funcionários nos horários de pico durante a greve que começou à 0h desta terça (4). A decisão, tomada em meio a um embate entre trabalhadores e o governo estadual, também estipula multas pesadas: R$ 1 milhão por dia para o sindicato e R$ 2 milhões para a empresa, caso a paralisação não seja cumprida conforme a ordem judicial.
A greve, deflagrada por funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, é um grito por justiça social e contra a privatização. Os trabalhadores exigem a reestatização dessas linhas, que foram entregues à iniciativa privada, e a garantia de que ninguém será demitido após a concessão à TriviaTrens. 'A nossa principal reivindicação é a garantia da manutenção dos empregos das linhas 11, 12 e 13', afirmou Luiz Barbosa Neto Junior, liderança sindical que esteve no Palácio dos Bandeirantes nesta segunda.
Por que a greve? A luta contra a privatização e a defesa dos empregos
A paralisação não é só sobre salários ou condições de trabalho. É uma resistência à lógica neoliberal que entrega serviços essenciais ao setor privado, muitas vezes às custas dos direitos dos trabalhadores. As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que ligam a capital a regiões periféricas como Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba e o Aeroporto de Guarulhos, foram concedidas à TriviaTrens, e os ferroviários temem que a transferência signifique demissões em massa e piora nas condições de trabalho.
O governo estadual, em nota, disse 'lamentar' a decisão do sindicato e afirmou que 'reiterou o compromisso com a preservação dos postos de trabalho'. Mas, para os trabalhadores, as promessas não bastam. 'As conversas no Palácio dos Bandeirantes não foram suficientes para demover os trabalhadores da paralisação', relataram fontes sindicais.
O impacto na população: suspensão do rodízio e operação parcial
A greve já afeta milhares de paulistanos. Por volta das 8h45, as linhas 11-Coral e 12-Safira operavam parcialmente, e a linha 13-Jade estava completamente paralisada. Para amenizar o caos no trânsito, a Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio municipal de veículos nesta terça (4).
A decisão do TRT, presidida pelo desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, determina que 80% do efetivo trabalhe nos horários de pico (das 4h às 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários. Um oficial de justiça estará nos Centros de Controle Operacional da CPTM, no Brás, para fiscalizar o cumprimento da ordem. Se não houver acordo até as 12h desta terça, a multa diária será aplicada.
O que está em jogo? A luta por direitos e a soberania dos serviços públicos
Essa greve é um capítulo da luta maior contra a privatização dos serviços públicos no Brasil. Enquanto o governo estadual insiste em entregar linhas de trem à iniciativa privada, os trabalhadores e a população pagam o preço. A reestatização não é só uma bandeira sindical, é uma demanda por dignidade e por um transporte que sirva ao povo, não ao lucro de empresas.
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil segue firme. 'A nossa principal reivindicação é a garantia da manutenção dos empregos', repetiu Luiz Barbosa Neto Junior. E, enquanto o governo joga com multas e liminares, os ferroviários mostram que a luta por justiça social não para nos trilhos.
Perguntas frequentes sobre a greve dos ferroviários em SP
Por que os ferroviários da CPTM estão em greve?
Os trabalhadores das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade paralisaram para exigir a reestatização dessas linhas, que foram concedidas à iniciativa privada, e a garantia de que não haverá demissões após a transferência para a concessionária TriviaTrens.
O que a Justiça decidiu sobre a greve?
O TRT determinou que 80% dos funcionários trabalhem nos horários de pico e 60% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão para o sindicato e R$ 2 milhões para a empresa.
Como a greve afeta os passageiros?
As linhas 11-Coral e 12-Safira operam parcialmente, e a linha 13-Jade está paralisada. A Prefeitura de São Paulo suspendeu o rodízio de veículos para aliviar o trânsito.