Visto cassado: a diplomata brasileira que Trump tentou calar
O governo de Donald Trump revogou o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, a primeira mulher a ocupar o cargo de embaixadora do Brasil nos Estados Unidos. A medida, revelada nesta terça-feira (4), escancara a tensão entre os governos de Lula e Trump e coloca no centro da crise uma das diplomatas mais respeitadas do Itamaraty.
Aos 72 anos, Viotti não foi expulsa do país, mas a decisão americana é um gesto de força contra o Brasil. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a revogação se baseia no princípio da reciprocidade: o governo brasileiro negou vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam visitar Brasília antes das eleições de 2026. Além disso, Washington cobra uma definição sobre Danny Perez, o indicado de Trump para a embaixada americana no Brasil.
Mas quem é essa mulher que enfrenta o poder de fogo da extrema direita norte-americana?
Uma carreira de luta e representatividade
Maria Luiza Ribeiro Viotti nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 27 de março de 1954. Entrou na diplomacia em 1976, depois de passar pelo Instituto Rio Branco. Também é economista, formada em 1978, com mestrado pela Universidade de Brasília (UnB) em 1981.
Ela não é uma diplomata qualquer. Viotti representou o Brasil na ONU entre 2007 e 2013, chefiou a delegação brasileira no Conselho de Segurança (2010-2011) e até presidiu o órgão em fevereiro de 2011. Depois, foi chefe de gabinete do secretário-geral António Guterres (2017-2021). Também serviu como embaixadora na Alemanha (2013-2016) e ocupou a Subsecretaria-Geral da Ásia e do Pacífico do Itamaraty.
Em 2023, ela quebrou mais um teto de vidro: tornou-se a primeira mulher a comandar a embaixada brasileira em Washington. Apresentou as credenciais ao então presidente Joe Biden em 30 de junho daquele ano.
O que está por trás da revogação do visto?
A crise não é pessoal, é política. Trump quer pressionar o Brasil a aceitar seu indicado para a embaixada e a liberar vistos para seus representantes. Mas a revogação do visto de Viotti é um ataque direto à soberania brasileira e à trajetória de uma mulher que dedicou cinco décadas à diplomacia.
Uma autoridade americana disse à Associated Press que a situação pode ser revertida se o impasse for resolvido. Enquanto isso, Viotti segue em Washington, no olho do furacão, representando o Brasil em um dos momentos mais tensos da relação bilateral desde a redemocratização.
Por que isso importa para o Brasil?
Maria Luiza Ribeiro Viotti é símbolo da resistência diplomática brasileira. Sua história mostra que o Brasil pode e deve ocupar espaços de poder, mesmo diante de governos hostis. A revogação do visto é um lembrete de que a luta por soberania e justiça social não se limita às fronteiras nacionais. É uma batalha global contra o autoritarismo e o neoliberalismo.
Enquanto Trump tenta calar, Viotti segue firme. E o Brasil, com Lula, não se curva.