Globo cancela debate após STF e TSE mudarem as regras: quem perde com isso?
O debate presidencial da TV Globo, marcado para a noite desta quinta-feira (1º), foi cancelado poucas horas antes de começar. A emissora alegou insegurança jurídica depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) tomaram decisões de última hora que alteraram as regras do programa. Enquanto isso, quem fica sem ouvir propostas é o povo brasileiro, mais uma vez refém de disputas que deveriam ser sobre o futuro do país.
O que mudaria no debate da Globo?
Pelas regras acordadas entre a emissora e as campanhas, o púlpito do candidato ausente permaneceria no cenário, e os adversários presentes poderiam fazer a pergunta que seria direcionada a ele. Mas a ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu essas duas possibilidades no caso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia confirmado que não compareceria.
Na decisão, Aranha afirmou:
“A consequência jurídica da ausência é simplesmente que ele perde a oportunidade de participar daquela rodada, enquanto o debate continua segundo as regras previamente acordadas. Mas sem consequências que possam ser coercitivas, pois isso configuraria cerceamento dos direitos políticos do candidato.”
Lula, aliás, preferiu o Flow Podcast ao palco da Globo. Uma escolha que diz muito sobre onde o povo realmente está sendo ouvido.
Por que o STF determinou a entrada de Renan Santos?
A segunda mudança veio do ministro Gilmar Mendes, do STF, que garantiu a participação de Renan Santos (Missão) no debate. A emissora havia excluído o candidato por critérios de representação parlamentar, mas a decisão de Gilmar atendeu a um pedido apresentado à Corte.
Dias antes, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia permitido a entrada de Romeu Zema (Novo), ampliando a lista original. Ou seja, o cenário mudava a cada hora, enquanto a população acompanhava tudo pelo celular, sem saber se o debate sairia ou não.
Por que a Globo cancelou o debate?
Flávio Bolsonaro (PL), que tinha confirmado presença, desistiu após a decisão sobre Lula, classificando a medida como censura. Logo depois, a Globo anunciou o cancelamento. Em nota, a emissora afirmou que as decisões “representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais”.
É preciso perguntar: liberdade para quem? Enquanto as grandes corporações de mídia reclamam de interferência, o povo brasileiro segue sem um debate que apresente propostas concretas para enfrentar a fome, o desemprego e a violência. A democracia não pode ser refém de disputas jurídicas de última hora, nem de interesses comerciais de quem vê a política como espetáculo.
O que fica é a certeza de que, mais uma vez, quem perde é o trabalhador, a trabalhadora, a juventude e todos aqueles que esperavam ouvir planos para um Brasil mais justo e soberano. A luta por informação de qualidade e por debates democráticos continua, e ela não termina com um cancelamento.