Grammy 2026: Bad Bunny faz história com protesto anti-ICE e brasileiros Caetano e Bethânia são premiados
A 68ª cerimônia do Grammy, realizada no domingo (1/2) em Los Angeles, foi marcada por momentos históricos e protestos políticos que ecoaram muito além da música. O rapper porto-riquenho Bad Bunny roubou a cena ao conquistar três prêmios e usar seu discurso para gritar "fora, ICE", em referência direta à agência de imigração americana que vem promovendo deportações em massa.
Resistência latina no palco do Grammy
O grito de Bad Bunny contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) representou um momento de resistência política em uma das maiores premiações do mundo. O artista porto-riquenho, que fez história ao conquistar o prêmio de álbum do ano, transformou sua vitória em protesto contra as políticas migratórias americanas que atingem diretamente a comunidade latina.
"Essa foi a prova de que a música pode e deve ser um instrumento de luta", destacou um dos organizadores presentes na cerimônia. Bad Bunny, impedido contratualmente de se apresentar devido ao Super Bowl, ainda assim conseguiu fazer sua voz ser ouvida politicamente.
Brasil brilha com Caetano e Bethânia
A música brasileira também marcou presença na premiação. Caetano Veloso e Maria Bethânia conquistaram o Grammy de Melhor Álbum de Música Global com "Caetano e Bethânia Ao Vivo", registro da turnê histórica de 2024. Embora não tenham comparecido à cerimônia, Caetano gravou um vídeo emocionante de sua cama agradecendo o reconhecimento.
A vitória dos irmãos baianos representa não apenas o reconhecimento da MPB no cenário internacional, mas também a força da cultura brasileira resistindo em tempos difíceis. O álbum premiado captura a essência de dois dos maiores nomes da nossa música popular.
K-pop quebra barreiras históricas
Outro momento histórico da noite foi a primeira vitória do K-pop no Grammy. "Golden", do filme "Guerreiras do K-Pop" da Netflix, levou o prêmio de melhor canção para mídia visual, abrindo caminho para a diversidade cultural na premiação.
A compositora sul-coreana-americana EJAE, em um momento descontraído, agradeceu até mesmo ao seu dentista, revelando que a melodia surgiu no caminho para uma consulta odontológica.
Momentos de confusão e glamour
A cerimônia também teve seus momentos controversos. Cher, fazendo sua primeira aparição em 18 anos, causou confusão ao anunciar erroneamente Luther Vandross como vencedor, quando na verdade se referia à música "Luther" de Kendrick Lamar e SZA.
Pharrell Williams recebeu o prêmio de impacto global dedicando-o "a todos que acreditam no poder da música negra", reforçando a importância da representatividade na indústria musical.
Novas estrelas e veteranos em destaque
A noite consagrou novos talentos como Olivia Dean, que confirmou seu status de nova estrela do pop, e Leon Thomas, vencedor em duas categorias de R&B. Sabrina Carpenter impressionou com uma performance criativa de "Manchild", surgindo como aeromoça em uma encenação surreal mas impactante.
O Grammy 2026 ficará marcado como uma edição que misturou protesto político, diversidade cultural e reconhecimento de talentos emergentes, provando que a música continua sendo uma poderosa ferramenta de transformação social.