A revolta dos craques expõe o fracasso do projeto bilionário saudita
O sonho de transformar a Arábia Saudita numa potência mundial do futebol está desmoronando diante dos nossos olhos. Karim Benzema e Cristiano Ronaldo, os dois maiores símbolos dessa empreitada milionária, agora se rebelam contra seus próprios clubes, expondo as contradições de um modelo que prometeu muito e entregou pouco.
O dinheiro não compra tudo
A realidade é crua: o dinheiro comprou contratos, mas não comprou relevância. Enquanto os sheiks gastavam fortunas para atrair estrelas como Neymar, Mané e Mahrez, a elite mundial do futebol rejeitou o projeto saudita. Robert Lewandowski recusou 100 milhões de euros anuais. Vinícius Júnior e Mbappé nem abriram negociações.
"Para o atleta no auge, o prestígio esportivo ainda vale mais que o dinheiro saudita", constata a realidade que os dirigentes sauditas tentaram ignorar.
Estádios vazios e promessas não cumpridas
Os números não mentem: a média de público despencou para 8.300 pessoas na temporada 2024/2025. Jogos de times menores registram menos de 500 pagantes. O que deveria ser um espetáculo global virou um teatro vazio, sustentado apenas pelo petrodólar.
O brasileiro Fabinho, do Al Ittihad, testemunha essa transformação de dentro. Jogadores como Jordan Henderson duraram apenas seis meses, enquanto Aymeric Laporte expôs publicamente o amadorismo dos dirigentes e a baixa qualidade de vida em Riade.
A revolta dos craques
A atual crise com Benzema e Cristiano Ronaldo revela a mudança de estratégia. O francês viu sua renovação atrelada a metas de produtividade sem salário fixo garantido, evidenciando a nova política de "Retorno sobre Investimento".
Já a greve de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr é um grito por igualdade. O português percebeu que, sem o mesmo aporte financeiro destinado ao Al-Hilal, é impossível competir, expondo como a concentração de recursos falhou em gerar equilíbrio esportivo.
Do sonho global à realidade regional
O que começou como um projeto de dominação mundial se transformou em algo mais modesto: uma liga forte na Ásia, mas periférica no cenário mundial. O Al Hilal concentrou os melhores ativos e resultados, gerando um desequilíbrio que agora explode nos vestiários rivais.
A única conquista continental no período de maior bonança financeira foi do Al Ahli, liderado por Roberto Firmino, na Champions League da Ásia 2024/2025. Um resultado pífio para tanto investimento.
O projeto saudita serve como lição: no futebol, como na vida, não se compra paixão, tradição e verdadeira grandeza. O dinheiro pode atrair jogadores, mas não conquista corações nem constrói uma cultura esportiva genuína.