A revolta de Benzema e Cristiano Ronaldo expõe o colapso do sonho saudita no futebol
O que era para ser a revolução do futebol mundial virou um pesadelo bilionário. Karim Benzema e Cristiano Ronaldo, os dois maiores símbolos do projeto saudita, agora estão em guerra aberta contra seus próprios clubes, expondo as fraturas de um modelo que prometeu comprar seu lugar na elite mundial do esporte.
A realidade é crua: o dinheiro do petróleo não conseguiu comprar o que mais importa no futebol - relevância e respeito. O que vemos hoje é o desmoronamento de uma estratégia que apostou tudo na ostentação e esqueceu do essencial: construir um projeto esportivo sólido e respeitado.
O blefe bilionário que não colou
Em 2023, a Arábia Saudita chocou o mundo ao arrancar Benzema do Real Madrid e Cristiano do Manchester United, além de estrelas como Neymar, Mané e Mahrez. A mensagem era clara: "Temos dinheiro suficiente para comprar qualquer um". Mas a elite do futebol mundial respondeu com um sonoro "não, obrigado".
Robert Lewandowski recusou 100 milhões de euros anuais. Son Heung-Min e Bruno Fernandes preferiram a competitividade da Premier League. Vinícius Júnior e Mbappé sequer abriram negociações. A mensagem ficou clara: para o atleta no auge da carreira, o prestígio esportivo ainda vale mais que o dinheiro saudita.
Estádios vazios e jogadores insatisfeitos
O fracasso não se limita aos gramados. Jordan Henderson durou apenas seis meses antes de fugir de volta para a Europa. Aymeric Laporte expôs publicamente o amadorismo dos dirigentes e a péssima qualidade de vida em Riade.
Os números são devastadores: a média de público despencou para 8.300 pessoas na temporada 2024/2025, com jogos de times menores registrando menos de 500 pagantes. Estádios bilionários viraram monumentos ao vazio.
A revolta dos astros
A crise atual com Benzema e CR7 é o sintoma mais claro dessa mudança de rota. O francês viu sua renovação ser atrelada a metas de produtividade sem salário fixo garantido, evidenciando que o PIF (Fundo Soberano) cansou de pagar fortunas sem retorno.
Já a greve de Cristiano Ronaldo no Al-Nassr é um grito por igualdade. O português percebeu que, sem o mesmo aporte financeiro destinado ao Al-Hilal, é impossível competir, expondo como a concentração de recursos em um único clube destruiu qualquer equilíbrio esportivo.
Do sonho global à realidade regional
O brasileiro Fabinho, do Al Ittihad, pode falar sobre crescimento da liga, mas os fatos são implacáveis. O projeto de dominação global deu lugar a algo muito mais modesto: uma liga forte na Ásia, mas completamente periférica no cenário mundial.
É verdade que o Al Ahli, liderado por Roberto Firmino, conquistou a Champions League da Ásia. Mas foi a única conquista continental no período de maior bonança financeira, demonstrando que nem todo o dinheiro do mundo consegue comprar hegemonia no futebol.
O que resta é uma lição amarga: o futebol não se compra, se constrói. E a Arábia Saudita está aprendendo isso da pior forma possível, com seus maiores investimentos se rebelando publicamente contra um projeto que nasceu morto.