Grammy 2026: Bad Bunny faz história e grita 'fora ICE' contra deportações
A 68ª cerimônia do Grammy, realizada domingo (1/2) em Los Angeles, foi marcada por momentos históricos e declarações políticas contundentes. O rapper porto-riquenho Bad Bunny roubou a cena ao conquistar três prêmios e fazer um discurso direto contra as políticas migratórias dos EUA.
Bad Bunny desafia políticas anti-imigrantes
Ao receber um de seus troféus, Bad Bunny não hesitou em usar o palco como tribuna política. "Fora, ICE", declarou o artista, referindo-se à agência americana de imigração que vem conduzindo operações para deportação de imigrantes sem documentos.
A declaração do porto-riquenho ecoa as vozes de milhões de latinos que vivem sob constante ameaça das políticas migratórias americanas. É um grito de resistência que representa não apenas sua comunidade, mas todos os trabalhadores imigrantes que constroem os EUA diariamente.
Representatividade brasileira no palco mundial
O Brasil também brilhou na premiação com a vitória de Caetano Veloso e Maria Bethânia, que levaram o prêmio de Melhor Álbum de Música Global com "Caetano e Bethânia Ao Vivo". Embora não tenham comparecido à cerimônia, Caetano gravou um vídeo de agradecimento direto de sua cama, demonstrando a simplicidade que sempre marcou sua trajetória.
A vitória dos irmãos baianos representa o reconhecimento internacional da música popular brasileira e sua capacidade de atravessar fronteiras culturais.
K-pop quebra barreiras históricas
Em outro momento histórico, o K-pop finalmente conquistou seu primeiro Grammy com a música "Golden", do filme "Guerreiras do K-Pop" da Netflix. A vitória marca um avanço importante para a diversidade cultural na indústria musical americana, tradicionalmente dominada por artistas ocidentais.
Pharrell Williams celebra música negra
Pharrell Williams, ao receber o prêmio de impacto global, dedicou o troféu "a todos aqui que acreditam no poder da música negra". Suas palavras ecoam a luta histórica por reconhecimento dos artistas negros na indústria musical, lembrando que muitos dos maiores sucessos americanos têm raízes na cultura afro-americana.
Momentos constrangedores e confusões
A cerimônia também teve seus momentos de tensão. Cher, em sua primeira aparição em 18 anos, protagonizou um momento confuso ao anunciar erroneamente Luther Vandross como vencedor, quando na verdade se referia à música "Luther" de Kendrick Lamar e SZA.
O apresentador Trevor Noah, que comandou o evento pela última vez, conseguiu contornar os momentos constrangedores com humor, incluindo piadas sobre o "jogo de beber nacional" americano: "Toda vez que você liga a TV, você bebe".
Nova geração do TikTok busca legitimidade
Influenciadores como Addison Rae e Alex Warren, que ganharam fama no TikTok durante os lockdowns, tentaram a transição para o mainstream musical. Embora Warren tenha enfrentado dificuldades técnicas em sua apresentação, Rae mostrou desenvoltura, evidenciando como as redes sociais estão redefinindo os caminhos para o estrelato.
Mudanças polêmicas nas categorias country
A divisão do prêmio de melhor álbum country em duas categorias gerou controvérsia. Muitos viram a mudança como uma resposta à vitória de Beyoncé com "Cowboy Carter" no ano anterior, sugerindo resistência à diversificação do gênero tradicionalmente branco.
A Recording Academy negou qualquer motivação discriminatória, mas a timing da mudança levanta questões sobre inclusão e representatividade na música country.
O Grammy 2026 ficará marcado não apenas pelas performances e vitórias, mas principalmente pelas vozes que usaram o palco para questionar injustiças e celebrar a diversidade cultural que verdadeiramente constrói a música americana.