Mulheres iranianas enfrentam sozinhas a repressão brutal do regime teocrático
Enquanto milhares de iranianas e iranianos corajosos desafiam nas ruas um dos regimes mais opressivos do mundo, a solidariedade internacional que tanto se esperava simplesmente não existe. As imagens que conseguem furar o bloqueio informativo mostram um povo valente, cujo gesto icônico de acender cigarros com cartazes em chamas do aiatolá Ali Khamenei se tornou símbolo de resistência.
Mas onde estão os movimentos sociais do mundo? Onde estão as manifestações de rua exigindo proteção para quem enfrenta balas que já mataram milhares?
O silêncio ensurdecedor da solidariedade seletiva
A resposta é dolorosa: existe uma solidariedade seletiva que expõe as contradições de certos setores da esquerda internacional. Como observou Jake Wallis Simpson no Telegraph, "agem apaixonadamente quando seu ativismo prejudica o Ocidente, mas suas vozes parecem abandoná-los quando o tirano usa turbantes".
É particularmente chocante ver como grupos que se mobilizam intensamente por outras causas permanecem em silêncio diante da brutalidade do regime iraniano. Clarissa Hard, da Spectator, destacou: "As cidades ocidentais deveriam estar lotadas de feministas fervorosas celebrando a coragem de suas irmãs iranianas diante de uma opressão perversa. No entanto, seu silêncio é conspícuo".
Jovens condenados à morte por lutar pela liberdade
Erfan Soltani tem apenas 26 anos. Gosta de musculação, usa barba bem aparada e pequenos brincos, como qualquer jovem moderno. Trabalha no ramo de roupas e se veste como milhões de jovens ao redor do mundo. Mas foi condenado à morte na forca por ousar protestar contra a opressão.
Desde 1979, quando o regime teocrático se instalou no Irã, entre quatro e seis mil homens homossexuais foram executados. As lésbicas são punidas com chibatadas. As mulheres são obrigadas a cobrir a cabeça e multadas por "crimes" como dirigir automóveis.
Brasil e o mundo falham com o povo iraniano
A posição do Itamaraty brasileiro foi particularmente decepcionante. Em nota protocolar, o ministério apenas "lamenta as mortes e transmite condolências às famílias" iranianas, como se estivesse diante de uma catástrofe natural, não de um massacre perpetrado pelo Estado.
Pior ainda foi a tentativa velada de criticar qualquer intervenção externa ao "sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país". Uma posição que, na prática, abandona o povo iraniano à própria sorte diante de um regime que não hesita em assassinar manifestantes.
A luta continua, mas precisa de apoio
Especialistas como Vali Nasr alertam que "para que os protestos de civis desarmados mudassem o equilíbrio de forças, seria preciso ter multidões nas ruas por muito mais tempo" e seria necessário "algum racha no estado; alguns segmentos do estado, e especialmente das forças de segurança, teriam que desertar".
O regime iraniano mantém controle através do terror, mas a coragem do povo iraniano, especialmente das mulheres que lideram essa luta por dignidade e liberdade, não pode ser ignorada pelo mundo. Elas merecem nossa solidariedade ativa, não nosso silêncio cúmplice.
Enquanto isso, as forças repressivas continuam tentando intimidar com mortes em massa um levante popular que representa a sede de liberdade de todo um povo. A questão que fica é: até quando o mundo vai assistir passivamente a este massacre?