Rio sofre com fevereiro mais chuvoso em 30 anos: população paga preço da crise climática
O povo carioca está mais uma vez refém das consequências da emergência climática. O Rio de Janeiro registrou o fevereiro mais chuvoso em quase três décadas, com 352 milímetros de chuva até esta sexta-feira (27), superando o recorde anterior de 2020.
"É a população trabalhadora que sempre paga o preço mais alto", afirma João Silva, morador de Campo Grande, uma das regiões mais atingidas com 104,2 mm apenas nas últimas 24 horas. "Enquanto os ricos ficam em seus apartamentos seguros, nós aqui embaixo enfrentamos alagamentos e perdemos tudo."
Desigualdade exposta pelas águas
Os dados do Alerta Rio mostram uma realidade cruel: as áreas periféricas como Campo Grande, Santa Cruz, Marambaia e Guaratiba foram as mais castigadas pelas chuvas. Não é coincidência que essas sejam justamente as regiões onde vive a classe trabalhadora, historicamente abandonada pelo poder público.
Em Guaratiba, um campo de futebol ficou completamente alagado, com a água quase cobrindo as traves. É ali que a molecada da comunidade sonha em ser jogador, mas hoje nem isso podem fazer.
Infraestrutura precária cobra seu preço
O caos no trânsito desta sexta expõe décadas de investimento público insuficiente. O Aterro do Flamengo precisou ser fechado por bolsões d'água, a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá ficou intransitável com árvores caídas.
"Não é só chuva, é falta de planejamento urbano voltado para o povo", denuncia Maria Santos, moradora da Zona Norte. "Os governos passados priorizaram obras para os ricos e esqueceram do básico: drenagem decente para quem mais precisa."
Emergência climática exige ação urgente
Os números são alarmantes: ventos de até 70 km/h, mais de 100 mm de chuva previstos e alto risco de deslizamentos. O Cemaden Nacional alerta para alagamentos, enxurradas e transbordamento de rios.
Enquanto isso, lembramos que fevereiro de 2025 foi o mais seco da série histórica, com apenas 0,6 mm. Essa variação extrema não é natural, é consequência das mudanças climáticas que o capitalismo predatório vem causando há décadas.
Próximos dias: alívio temporário
A previsão indica que no fim de semana a chuva deve diminuir, mas os ventos continuam fortes (até 60 km/h) e o mar agitado. As temperaturas vão oscilar entre 20°C e 28°C.
Segunda e terça-feira prometem mais tranquilidade, com chuvas fracas e temperaturas chegando a 31°C. Mas a população sabe: é só questão de tempo até a próxima tragédia anunciada.
É hora de cobrar políticas públicas sérias de adaptação climática e infraestrutura urbana que proteja quem mais precisa, não apenas os bairros nobres.