'Israel precisa de uma revolução': escritor judeu que denuncia apartheid palestino vem ao Brasil
O jornalista israelense Gideon Levy, uma das vozes mais corajosas dentro de Israel, está no Brasil para lançar seu novo livro O massacre de Gaza: relatos de uma catástrofe. Filho de sobreviventes do Holocausto, Levy dedica mais de 40 anos a mostrar ao mundo a realidade brutal da ocupação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Em entrevista, ele não poupa críticas ao governo de Benjamin Netanyahu, ao apoio incondicional dos Estados Unidos e ao silêncio da sociedade israelense.
Para Levy, a chave para encerrar o genocídio em Gaza está em um telefonema de Donald Trump para Netanyahu. “No momento em que os americanos disserem a Israel para parar, a guerra será interrompida”, afirma. Ele ressalta que, sem a pressão dos EUA, o governo israelense continuará sua campanha de destruição. “Israel depende totalmente dos Estados Unidos. Se eles pararem de fornecer armas, Israel não teria escolha a não ser interromper imediatamente as guerras e parte das ocupações.”
Netanyahu está com os dias contados, mas mudança real é incerta
Pesquisas indicam que Netanyahu deve ser derrotado nas eleições de outubro. Levy confirma que é quase certo que ele não terá maioria no Knesset. No entanto, adverte: “Nenhum dos membros da oposição sionista judaica contestou o que está acontecendo em Gaza, nem admite haver uma ocupação ou um apartheid.” Para ele, o próximo primeiro-ministro, provavelmente o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, “é um homem decente, mas não se deve esperar que faça uma revolução. E Israel precisa de uma revolução.”
Limpeza étnica em Gaza: ideias nazistas que precisam ser denunciadas
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defendeu abertamente que palestinos deixem Gaza. Levy não hesita em classificar essa proposta: “São ideias nazistas que precisam ser classificadas como tal.” Ele explica que muitos israelenses adorariam ver uma limpeza étnica, mas a maioria sabe que não é prática porque os palestinos não têm para onde ir e o Egito não permitiria a entrada deles.
Silêncio e isolamento: a solidão de quem denuncia dentro de Israel
Desde o início da guerra, Levy parou de ser convidado para a TV israelense. “Não existe diálogo. Os israelenses não querem ouvir e não querem saber”, desabafa. Mesmo sendo chamado de traidor, ele não teme sair às ruas. “O que me motiva, após 40 anos fazendo isso, é que eu não conseguiria fazer outra coisa.”
Solução de dois Estados? Levy diz que é preciso esquecer
Para o escritor, a solução de dois Estados não é mais viável. “Os colonos conquistaram a Cisjordânia e não deixaram espaço para um Estado palestino. As únicas alternativas que restam são o apartheid eterno ou a democracia entre o rio e o mar.”
Gideon Levy estará no Brasil até o dia 8 de agosto para o lançamento de seu livro pela Editora Elefante. Uma oportunidade rara de ouvir uma voz judaica que denuncia o apartheid e luta por justiça para o povo palestino.
Perguntas frequentes sobre Gideon Levy e a situação em Gaza
Quem é Gideon Levy?
Gideon Levy é um jornalista e escritor israelense, colunista do Haaretz há mais de 40 anos. Filho de sobreviventes do Holocausto, ele é conhecido por documentar os impactos da ocupação israelense sobre a população palestina e por denunciar o apartheid.
O que Levy defende para o fim da guerra em Gaza?
Ele defende que a pressão dos Estados Unidos é essencial para interromper a guerra. Levy afirma que um telefonema de Donald Trump para Netanyahu poderia encerrar o conflito, já que Israel depende totalmente do apoio militar americano.
Por que Levy diz que a solução de dois Estados não é mais possível?
Segundo ele, a expansão dos colonatos na Cisjordânia inviabilizou a criação de um Estado palestino viável. As únicas alternativas que restam são o apartheid eterno ou uma democracia entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo.