Mario Frias na mira da PF: ex-secretário de Bolsonaro é alvo de operação por desvios em emendas
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), que ficou conhecido como ator de Malhação e depois virou secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, virou alvo nesta quinta-feira (10) da Operação Make Up. A ação, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), investiga o financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao todo, são cumpridos 49 mandados contra Frias, a produtora Karina Gama e outros investigados.
Segundo a PF, a operação apura indícios de desvios de recursos públicos vindos de emendas parlamentares. Ou seja, dinheiro do povo que deveria financiar políticas públicas, mas que pode ter sido usado para bancar um projeto de exaltação à figura de Bolsonaro.
Quem é Mario Frias, o ator que virou arma da extrema direita na Cultura
Antes de virar nome forte do bolsonarismo, Frias construiu carreira na TV. Entre 1999 e 2001, foi protagonista da sexta temporada de Malhação, fazendo par romântico com Priscila Fantin. Estreou na Globo em 1996, no seriado Caça Talentos, e depois passou por novelas como As Filhas da Mãe, O Quinto dos Infernos e O Beijo do Vampiro.
Curiosamente, em Senhora do Destino, de 2004, ele interpretou um político corrupto, o deputado Thomas Jefferson. A vida imitando a arte, ou talvez o contrário.
Frias também passou pela Record, onde atuou em Os Mutantes, Bela, a Feia e A Terra Prometida. Na RedeTV!, apresentou programas como O Último Passageiro e Super Bull Brasil. No SBT, comandou o Tô de Férias. Seus últimos trabalhos na Globo foram na novela Verão 90 e um retorno a Malhação em 2014.
A gestão de Frias na Cultura: ataques à Lei Rouanet e privilégios para aliados
Frias foi nomeado por Bolsonaro em junho de 2020, num momento em que Regina Duarte já estava sendo queimada no cargo. Ele ficou na secretaria até 31 de março de 2022, quando pediu exoneração para disputar as eleições.
Durante sua gestão, a pasta promoveu mudanças na Lei Rouanet, reduzindo o teto para projetos individuais de incentivo fiscal. Na prática, isso dificultou o acesso de pequenos produtores e artistas independentes aos recursos, enquanto abria espaço para decisões centralizadas e alinhadas aos interesses do governo. Também houve alterações na governança da Funarte e do Iphan, além de normativas sobre a programação de instituições culturais federais.
O mandato de Frias foi marcado por denúncias de atritos no ambiente de trabalho e questionamentos sobre os custos de viagens oficiais, como uma missão a Nova York. Órgãos de controle chegaram a fiscalizar os gastos e as motivações desses deslocamentos.
O que a Operação Make Up investiga?
A investigação da PF e da CGU apura o financiamento do filme Dark Horse, inspirado na vida de Bolsonaro. A suspeita é de que recursos de emendas parlamentares tenham sido desviados para bancar a produção. A operação cumpre mandados contra Frias, a produtora Karina Gama e outros envolvidos.
O nome da operação, Make Up, faz referência a uma das falas mais polêmicas de Frias, que afirmou que a arte no Brasil era uma forma de