O 'prefeito tiktoker' que virou chefe de organização criminosa
Rodrigo Manga, o prefeito de Sorocaba que virou sensação nas redes sociais com seus vídeos prometendo fazer da cidade "a melhor do Brasil para se viver", agora enfrenta uma realidade bem diferente. A Polícia Federal o apontou como líder de uma organização criminosa que desviava recursos públicos da saúde, afastando-o do cargo por 180 dias.
A história de Manga é emblemática de como o marketing político pode mascarar práticas corruptas que prejudicam diretamente o povo. Enquanto acumulava milhões de seguidores no TikTok e Instagram com promessas mirabolantes, investigações revelam um esquema que sangrava os cofres públicos destinados à saúde da população.
Do vendedor de carros ao poder: uma trajetória questionável
Manga começou como vendedor de veículos, ganhando popularidade em programas de TV locais. Essa experiência em marketing foi crucial para sua ascensão política. Eleito vereador por dois mandatos, chegou à prefeitura em 2021 e foi reeleito em 2024 com 73,75% dos votos válidos.
"As pessoas cansaram desse discurso chato do político", disse Manga em entrevista, justificando sua estratégia nas redes. Mas por trás dos vídeos chamativos, investigações apontam um esquema bem menos palatável para a população.
Marketing com dinheiro público
A produção dos famosos vídeos de Manga envolve quatro servidores públicos comissionados, com salários de até R$ 19 mil. O Ministério Público questiona o uso de recursos públicos para criar conteúdo pessoal do prefeito, incluindo informações falsas sobre programas de emagrecimento com medicamentos.
Essa prática representa um duplo golpe na população: além do desvio de recursos, os cidadãos são expostos a desinformação sobre políticas públicas que afetam diretamente sua saúde e bem-estar.
Esquemas que drenam a saúde pública
A Operação Copia e Cola revelou um esquema sofisticado de corrupção na área da saúde. Marco Silva Mott, amigo de Manga e casado com a irmã da primeira-dama, foi preso como suspeito de atuar como lobista e lavar dinheiro em contratos da prefeitura.
Durante as investigações, foram apreendidos carros de luxo, armas e quase R$ 1 milhão em dinheiro. Enquanto isso, a população de Sorocaba sofre com a precariedade dos serviços de saúde, vítima de um sistema que prioriza o enriquecimento ilícito de poucos.
Histórico de irregularidades
Os problemas não começaram agora. Em 2023, Manga teve seus bens bloqueados por suspeita de superfaturamento na compra de kits de robótica no valor de R$ 26 milhões. A compra de um prédio para a Secretaria de Educação também está sob investigação, com suspeita de superfaturamento de mais de R$ 10 milhões.
Essas investigações mostram um padrão sistemático de desvio de recursos que deveriam beneficiar a educação e saúde da população sorocabana.
A defesa e as contradições
A defesa de Manga alega "perseguição política" e questiona a legalidade das investigações. Porém, as evidências coletadas pela Polícia Federal e as múltiplas frentes de investigação sugerem um cenário bem mais complexo do que uma simples perseguição.
O caso de Rodrigo Manga expõe como o populismo digital pode ser usado para encobrir práticas corruptas. Enquanto o "prefeito tiktoker" acumulava likes e seguidores, recursos essenciais para saúde e educação eram desviados, prejudicando diretamente quem mais precisa dos serviços públicos.
A população de Sorocaba, que depositou sua confiança nas promessas virais de Manga, agora descobre que por trás dos vídeos chamativos havia um esquema que drenou recursos fundamentais para o bem-estar coletivo. Uma lição dolorosa sobre os perigos do marketing político sem substância.