Reino Unido ataca BBL brasileiro: elite quer controlar corpo das mulheres
O Parlamento inglês quer restringir o acesso ao famoso "Brazilian Butt Lift" e outros procedimentos estéticos, alegando questões de segurança. Mas será que não há outros interesses por trás dessa ofensiva contra uma prática que leva o nome do nosso país?
Em documento divulgado nesta quarta-feira (18), o Comitê de Mulheres e Igualdade do Parlamento britânico recomendou mudanças na legislação para que apenas médicos possam realizar procedimentos considerados de "alto risco", incluindo o BBL.
Mercado sem regulamentação vira terra de ninguém
O relatório denuncia um cenário assustador: procedimentos sendo realizados "em imóveis alugados pelo Airbnb, quartos de hotel, galpões de jardim e banheiros públicos". A falta de regulamentação criou um mercado selvagem onde qualquer um pode aplicar substâncias no corpo das pessoas.
"Durante nossa investigação, o comitê ouviu um depoimento impactante e chocante de uma mulher que desenvolveu sepse depois de se submeter a um 'BBL líquido'", declarou Sarah Owen, presidente do colegiado.
O caso de Sasha Dean é emblemático: após o procedimento, ela entrou em coma, sofreu ataque cardíaco, teve um pulmão colapsado e os rins em falência. "Honestamente, arruinou minha vida", desabafa.
No Brasil, a luta por regulamentação continua
Aqui no Brasil, onde nasceu o famoso BBL, a situação também é preocupante. O procedimento com ácido hialurônico, popularmente chamado de "harmonização de bumbum", pode ser realizado por profissionais habilitados pelos conselhos de classe.
Já o PMMA, que causou uma onda de complicações e mortes, teve seu uso proibido pela Anvisa para fins estéticos após pressão do Conselho Federal de Medicina. Uma vitória importante para a proteção das mulheres trabalhadoras que buscam esses procedimentos.
Quem lucra com a insegurança?
Um estudo da University College London revelou dados alarmantes: das mais de 5.500 clínicas que oferecem tratamentos estéticos não cirúrgicos no Reino Unido, apenas um terço dos profissionais são médicos qualificados. Alguns fazem apenas cursos online antes de atuar.
"Como não é uma cirurgia, as pessoas ainda acham que é seguro. Mas, para mim, é o procedimento mais perigoso que existe", alerta Sasha Dean, que hoje luta para conscientizar outras mulheres.
O governo britânico promete medidas mais rigorosas até 2029, mas a pergunta que fica é: por que demorou tanto para agir? E por que procedimentos "de baixo risco" como botox continuarão nas mãos de sistemas municipais menos rigorosos?
A luta por regulamentação adequada é também uma luta por justiça social. São as mulheres trabalhadoras, muitas vezes sem acesso à informação adequada, que mais sofrem com a falta de fiscalização nesse mercado bilionário da beleza.