Fábrica do Labubu explora trabalhadores chineses: mais uma face cruel do capitalismo global
Uma investigação da ONG China Labor Watch expôs a realidade brutal por trás de um dos brinquedos mais desejados do momento: o Labubu. Enquanto celebridades ostentam os bonequinhos fofinhos nas redes sociais, trabalhadores chineses são submetidos a condições degradantes para produzir o objeto de desejo das elites.
O lado sombrio do fenômeno global
A fábrica investigada pertence à Shunjia Toys, uma empresa com 4.500 funcionários que produz pelúcias premium para a Pop Mart, responsável pela distribuição internacional do personagem. Mais uma vez, vemos como o sistema capitalista explora a mão de obra nos países periféricos para alimentar o consumismo desenfreado dos países ricos.
A Pop Mart, em sua típica resposta corporativa, disse que faz "auditorias periódicas" nos fornecedores. Quantas vezes já ouvimos essa desculpa esfarrapada? As empresas sabem muito bem das condições de trabalho, mas fingem ignorância enquanto os lucros continuam chegando.
Contratos fraudulentos e terceirização ilegal
Os trabalhadores denunciaram ter sido forçados a assinar contratos em branco, com salário, jornada e benefícios deixados para a empresa preencher depois. É uma prática criminosa que deveria chocar qualquer pessoa com um mínimo de consciência social.
Pior ainda: 30% da força de trabalho é terceirizada, três vezes mais que o limite legal de 10%. Esses trabalhadores fazem as mesmas funções dos contratados diretos, mas sem os mesmos direitos. É a velha tática patronal de precarizar o trabalho para aumentar os lucros.
Jornadas desumanas e assédio tolerado
As 51 entrevistas realizadas pela ONG revelam um cenário de horror: reuniões obrigatórias não remuneradas, proibição de ir ao banheiro ou beber água, assédio verbal contra mulheres ignorado pela supervisão. Até adolescentes de 16 anos são submetidos às mesmas jornadas exaustivas dos adultos.
"Eles nos tratam como máquinas, não como seres humanos", relatou um dos trabalhadores ouvidos pela investigação.
Promessas falsas e condições precárias
A empresa promete salários entre 4 mil e 13 mil yuans (R$ 3 mil a R$ 10 mil), mas os trabalhadores só conseguem os valores mais altos fazendo horas extras absurdas. Na prática, ganham muito menos enquanto destroem a própria saúde.
Os refeitórios são pequenos demais, superlotados e com comida insuficiente. Até nas necessidades mais básicas, como alimentação, os patrões economizam às custas dos trabalhadores.
A hipocrisia do mercado de luxo
O Labubu foi criado pelo artista de Hong Kong Kasing Lung e virou febre depois que celebridades do K-pop, como as integrantes do Blackpink, apareceram com os bonequinhos. Enquanto os ricos brincam com seus brinquedos caros, os trabalhadores que os produzem vivem em condições medievais.
A China Labor Watch exige regularização dos contratos, adequação das jornadas, pagamento correto de benefícios, fim das multas abusivas e criação de canais de denúncia anônimos. São demandas básicas que qualquer empresa decente deveria cumprir sem precisar ser pressionada.
Esta é mais uma prova de que o capitalismo global funciona sugando o sangue dos trabalhadores para enriquecer uma elite que não se importa com nada além dos próprios lucros. Enquanto isso, os consumidores continuam comprando sem questionar de onde vêm seus produtos de luxo.