Sarkozy deixa prisão após três semanas: justiça de classe em ação
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy foi libertado nesta segunda-feira (10) da prisão La Santé, em Paris, depois de apenas três semanas atrás das grades. A decisão do tribunal de apelações francês expõe mais uma vez como a justiça funciona de forma diferente para os poderosos.
Condenado por associação criminosa a cinco anos de prisão, Sarkozy aguardará em liberdade o julgamento de seu recurso, marcado para março. O político conservador é acusado de receber financiamento ilegal da Líbia para sua campanha presidencial de 2007.
Tratamento especial na cadeia revolta funcionários
Durante sua breve passagem pela prisão, Sarkozy recebeu tratamento VIP que gerou revolta entre os agentes penitenciários. O ex-presidente foi separado dos demais presos, com dois seguranças ocupando uma cela vizinha para sua proteção.
"Esta medida era necessária dado o 'status' de Sarkozy", justificou o ministro do Interior Laurent Nunez, em uma declaração que escancara como o sistema penal francês trata diferentemente ricos e pobres.
Para completar o escândalo, o ministro da Justiça Gérald Darmanin visitou Sarkozy na prisão, gerando críticas sobre possível interferência na independência judicial.
Histórico de corrupção e privilégios
Sarkozy, que governou a França de 2007 a 2012, enfrenta múltiplos processos desde que perdeu a reeleição. Já foi condenado em outros dois casos, incluindo corrupção por tentar obter favores de um juiz.
No "caso líbio", promotores afirmam que assessores de Sarkozy fecharam acordo com o ex-ditador Muammar Kadafi em 2005 para financiar ilegalmente sua campanha presidencial. Em troca, o líder líbio teria recebido ajuda para melhorar sua imagem internacional.
Mobilização popular expõe divisões na sociedade
A prisão de Sarkozy dividiu a França. Enquanto uma multidão cantou o hino nacional em frente à sua casa no dia da prisão, milhares de cartas, chocolates e livros chegaram à cadeia demonstrando o apoio de seus seguidores.
"Estar encarcerado era exaustivo", declarou Sarkozy por videoconferência durante a audiência, agradecendo aos funcionários da prisão pela "humanidade excepcional".
A libertação de Sarkozy reforça a percepção de que existe uma justiça para os poderosos e outra para o povo trabalhador. Enquanto presos comuns enfrentam superlotação e condições degradantes, ex-presidentes recebem celas especiais e visitas ministeriais.