O Sebrae levou 115 empreendedores negros à FIB Global Conference 2026, o Future in Black, realizada em São Paulo no fim de outubro de 2026. O objetivo foi aproximar pequenos negócios liderados por negros e negras de grandes corporações e de oportunidades comerciais concretas, segundo reportagem do Brasil 247.
O número expõe, ao mesmo tempo, a força e o desafio da empreendedoria negra no país. Dados do Sebrae, com base na PNAD Contínua, mostram que 15,8 milhões de pessoas negras estão à frente de negócios no Brasil, o equivalente a 52,3% dos empreendedores do país. Mas o rendimento médio desses empreendedores corresponde a apenas 56% do registrado entre os brancos.
Economia global e inteligência artificial em debate
A conferência reuniu executivos, investidores e representantes de empresas como BlackRock, Bank of America, Bayer, B3, Natura e SulAmérica Investimentos. Os debates cobriram economia global, geopolítica, inovação e inteligência artificial.
A abertura foi conduzida pelo apresentador e escritor Manoel Soares. O fundador e COO do Future in Black, Maiko Pinheiro, destacou a mobilização de parceiros que tornou o evento possível.
A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, afirmou que inteligência artificial, envelhecimento da população e fragmentação geopolítica estão redesenhando a economia mundial.
Na avaliação dela, o cenário de juros elevados, custos crescentes e maior endividamento dos governos tende a tornar o ambiente de investimentos mais desafiador. Novas tecnologias podem criar oportunidades, mas exigem adaptação de empresas e profissionais. Victal defendeu decisões de investimento baseadas em análises que diferenciem movimentos temporários de transformações estruturais.
O CEO da BlackRock no Brasil, Bruno Barino, apontou que a reorganização das relações comerciais, as disputas tarifárias e a corrida tecnológica alteram a alocação de capital. Segundo ele, os investimentos em inteligência artificial devem alcançar trilhões de dólares até 2030, abrangendo áreas como geração de energia, semicondutores e data centers.
Barino afirmou que o Brasil tem oportunidades ligadas à oferta de energia renovável, mas precisa enfrentar entraves para atrair capital internacional, como o risco cambial e a ausência de uma estratégia de longo prazo. Ele também ressaltou a importância da gestão financeira e da liquidez para empresas em um ambiente de maior competição por recursos.
Capacitação antes da conferência e negócios em números
Antes da conferência, o Sebrae promoveu uma trilha online de capacitação que reuniu 504 negócios interessados em se preparar para atender ao mercado corporativo. O Manchete Popular também noticiou a iniciativa de aproximação entre pequenos negócios e grandes empresas, incluindo o Deal Space, espaço de negociação realizado em parceria com o Sebrae.
Entre os selecionados está a Carla Piaggio Design, agência baiana de comunicação corporativa com mais de 20 anos de atuação e projetos para clientes como Grupo Boticário e Embasa.
A fundadora Carla Piaggio relatou que recebeu apoio do Sebrae por meio de capacitações, mentorias, programas de aceleração, edital e conexões comerciais.
Outra participante é a Negoccia, fundada pelas advogadas Joyce Santos e Pâmela Cavalcanti, que atua na negociação de passivos trabalhistas e informa ter acumulado negociações envolvendo mais de R$ 350 milhões.
A Ganbatte, empresa de impacto social voltada à inclusão produtiva e a soluções tecnológicas para geração de renda, também marcou presença. O diretor de inovação, Adriano Morais, disse que a empresa pretendia apresentar uma ferramenta digital de gestão de programas e buscar conexões comerciais.
Segundo a organização do Future in Black, a rede da conferência reúne 240 grandes corporações parceiras, movimentou mais de R$ 50 milhões em negócios e apoiou a aceleração de 1.200 carreiras. O O Maranhense destacou que o evento reforçou a importância de transformar conhecimento e conexões em oportunidades concretas de desenvolvimento.
Por que a empreendedoria negra importa para a economia do país
Os números do Sebrae revelam uma contradição brasileira conhecida: a maioria dos empreendedores do país é negra, mas recebe pouco mais da metade do rendimento dos empreendedores brancos. Não falta iniciativa, falta estrutura e acesso a mercados, crédito e redes de contatos.
É esse vácuo que iniciativas como a participação do Sebrae na FIB tentam ocupar. Colocar pequenos negócios na mesma sala que BlackRock, B3 e Natura não resolve o problema estrutural do racismo no mercado, mas abre portas que historicamente estiveram fechadas.
O desafio agora é transformar conexões em contratos. A trilha de capacitação com 504 negócios mostra que a demanda existe e é grande. Os R$ 50 milhões em negócios movimentados pela rede do Future in Black indicam que o caminho funciona quando há política pública e iniciativa privada dispostas a caminhar juntas.
Perguntas frequentes
Quantos empreendedores negros existem no Brasil?
São 15,8 milhões de pessoas negras à frente de negócios no país, o equivalente a 52,3% dos empreendedores brasileiros, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua.
Qual é a diferença de rendimento entre empreendedores negros e brancos?
O rendimento médio dos empreendedores negros corresponde a 56% do registrado entre os brancos, segundo o mesmo estudo do Sebrae.
Quantos empreendedores o Sebrae levou à FIB Global Conference 2026?
O Sebrae levou 115 empreendedores negros à conferência, realizada em São Paulo, além de reunir 504 negócios na trilha online de capacitação preparatória.
