Intel aposta na 'IA na ponta' para não ficar para trás e vê Brasil como peça-chave
A Intel, aquela gigante que por décadas foi sinônimo de computador pessoal, viu a NVIDIA roubar a cena com a explosão da inteligência artificial. Mas a empresa não vai se entregar. Em vez de competir no terreno onde a NVIDIA reina absoluta – o treinamento de grandes modelos na nuvem –, a Intel está mirando a próxima onda: a 'IA na ponta', que promete ser dez vezes maior que a anterior. E o Brasil, com sua matriz energética limpa, pode virar um hub estratégico nessa nova era.
O que é a 'IA na ponta' e por que ela importa?
Enquanto a primeira onda da IA foi sobre treinar máquinas gigantes na nuvem, a segunda fase é sobre levar essa inteligência para o dia a dia. Segundo João Bortone, novo executivo da Intel para a América Latina, a inteligência artificial vai deixar de ser um 'oráculo' centralizado para se tornar onipresente em dispositivos pessoais e corporativos. 'Todo mundo vai ter um agente de IA pessoal, cada governo vai ter os seus, cada empresa vai ter os seus', afirma o executivo. Isso significa que seu celular, seu computador ou até um equipamento médico poderão rodar modelos de IA de forma autônoma, aprendendo seus hábitos e executando tarefas sem depender da nuvem o tempo todo.
A 'co-opetição' da Intel: competir e colaborar ao mesmo tempo
A Intel não quer brigar com todo mundo. Pelo contrário, a empresa abraçou o conceito de 'co-opetição'. Em setembro de 2025, a NVIDIA investiu US$ 5 bilhões na Intel para codesenvolver produtos para PCs e data centers. Para Bortone, o que importa agora não é o hardware em si, mas o resultado entregue ao cliente. 'Trabalhamos com todos os concorrentes. O que repito para meu time é que não deve ser sobre produto, mas sobre o resultado', afirma.
Brasil: hub estratégico ou promessa vazia?
No Brasil, o desafio de Bortone é duplo: manter a agilidade de uma operação que aboliu escritórios físicos e convencer a matriz global das particularidades locais. 'O meu desafio é explicar para a liderança global o que é um boleto', brinca o executivo, ilustrando a necessidade de traduzir as nuances do mercado brasileiro – como parcelamento e meios de pagamento locais – para a gestão americana.
Mas o país tem um trunfo estratégico: sua matriz energética renovável. Com o consumo de energia dos data centers crescendo exponencialmente – um estudo da Gartner aponta que, até 2030, cerca de 8% da energia consumida nos EUA virá apenas dessas estruturas –, o Brasil pode se tornar um hub global de processamento de dados, desde que o governo saiba capitalizar essa vantagem, resume Bortone.
IA vai acabar com empregos? A visão do executivo
Bortone é otimista. Ele vê a tecnologia como uma extensão humana e acredita que a IA, longe de ser o fim de profissões, será um catalisador para novas oportunidades. 'Eu sou fascinado pela IA. Acredito que é uma ferramenta incrível para quem sabe usar. Mas precisamos lembrar que a responsabilidade não é da IA, é nossa', conclui.
FAQ: perguntas frequentes sobre a nova estratégia da Intel
O que é 'IA na ponta'?
É a inteligência artificial que roda diretamente em dispositivos locais – como celulares, computadores e equipamentos industriais – sem depender da nuvem. Isso permite respostas mais rápidas, maior privacidade e personalização.
A Intel vai competir diretamente com a NVIDIA?
Não exatamente. Enquanto a NVIDIA domina o treinamento de grandes modelos na nuvem, a Intel foca na aplicação prática da IA em dispositivos do dia a dia, um mercado que o executivo chama de 'dez vezes maior'.
Por que o Brasil é importante para a Intel?
Por causa da matriz energética renovável. Com data centers consumindo cada vez mais energia, o Brasil pode oferecer energia limpa e barata, tornando-se um hub global para processamento de dados.
A IA vai substituir trabalhadores?
Para Bortone, a IA é uma ferramenta que pode criar novas oportunidades e produtos, desde que usada com responsabilidade. 'A responsabilidade não é da IA, é nossa', afirma.