A marca de luxo Caviar lançou nesta semana uma coleção do iPhone Duo, o dobrável da Apple, inspirada nos signos do zodíaco, com preços que podem passar de R$ 380 mil. A linha, batizada de Zodiac, permite customizar quase toda a parte externa do aparelho, com opções que vão de banho de ouro a pedaços de meteorito, segundo o Estadão.
Enquanto isso, o iPhone Duo comum, vendido pela Apple no Brasil por R$ 21.999, já está fora do alcance da imensa maioria dos trabalhadores brasileiros. A versão astronômica da Caviar custa o equivalente a mais de 17 anos de um salário mínimo integral, sem descontar um centavo para comida, aluguel ou transporte.
Como funciona a coleção Zodiac
Segundo o Estadão, a coleção trabalha com mais de um milhão de combinações diferentes. Na página oficial da Caviar, o comprador pode alterar o frame lateral, a carcaça, cores, texturas, materiais e metais. O site do TecStudio confirma que a personalização combina os 12 signos com meteorito, ouro e couro de crocodilo, partindo de US$ 14,8 mil.
Em testes rápidos feitos pelo jornalista do Estadão, a configuração mais cara possível incluiu painel decorativo com camadas de meteorito, símbolos banhados a ouro, couro de crocodilo preto, armazenamento de 2 TB e detalhes incrustados com diamantes. O resultado: US$ 70 mil, pouco mais de R$ 380 mil em conversão direta.
As versões de entrada da linha Zodiac custam US$ 15 mil, cerca de R$ 82 mil. O Diário da Mídia reporta que, na prática, os modelos mostrados pela empresa ficam entre R$ 75,7 mil e R$ 95,3 mil, todos com 256 GB de armazenamento.
Luxo que dialoga com pouquíssimos bolsos
A Caviar não é novata nesse mercado. O portfólio regular da empresa inclui o modelo Dali, inspirado no pintor surrealista Salvador Dalí, recheado de pedras preciosas, com estrutura traseira em adornos ondulados violeta e o logotipo da Apple coberto de diamantes. Esse aparelho custa mais de US$ 90 mil, aproximadamente R$ 450 mil.
A empresa também customiza os Galaxy Z Fold 8 e Z Fold 8 Ultra, da Samsung, com versões temáticas do jogador Lionel Messi, do vilão Coringa e de personagens como Don Corleone, de O Poderoso Chefão, e Tony Montana, de Scarface.
O Canaltech lembra que a Caviar é especializada em versões de luxo de smartphones, e o TechTudo observa uma mudança importante: nas coleções anteriores a marca vendia produtos prontos, e agora passou a oferecer personalização aberta ao gosto do cliente.
R$ 380 mil: o que esse dinheiro faria na vida real
Aqui vale uma pausa para pensar no que esses números significam no país real, aquele que não aparece nos lançamentos de luxo. Com R$ 380 mil seria possível construir dezenas de casas populares, equipar uma escola pública inteira ou manter por anos uma cozinha comunitária alimentando centenas de famílias.
É o mesmo dinheiro que governos municipais em todo o Brasil pedem emprestado para reformar hospitais. É mais que o orçamento anual de muitas creches do interior. Enquanto isso, o Custo Básico de Alimentação medido pelo Dieese segue subindo, e milhões de brasileiros seguem inseguros em relação à própria comida.
Não se trata de negar o direito de quem tem dinheiro de gastá-lo como quiser. Trata-se de enxergar o abismo que separa esse consumo de ostentação da realidade da maioria. Um telefone de R$ 380 mil não é um aparelho de comunicação; é um troféu de desigualdade, fabricado de forma artesanal para exibir poder num país onde metade da população vive com renda domiciliar per capita de até dois salários mínimos.
O aparelho comum já é um problema
Mesmo o iPhone Duo comum, sem meteorito e sem diamante, expõe a distância entre o Brasil de verdade e o Brasil dos lançamentos. Vendido aqui por R$ 21.999, segundo a própria Apple, o dobrável custa mais de 14 salários mínimos. Para um trabalhador que ganha um salário mínimo, seria preciso mais de um ano de trabalho integral, sem gastar nada, para comprá-lo.
As ofertas atuais no varejo brasileiro mostram a escala do problema: um iPhone 17e de 256 GB sai a partir de R$ 4.049,10, e um iPhone 18 Pro Max de 256 GB parte de R$ 11.699,10. Mesmo os modelos de entrada pesam no bolso de quem vive de salário.
Produtos como a coleção Zodiac existem porque existe um mercado para eles. E esse mercado existe porque a concentração de renda no Brasil atingiu níveis em que gastar R$ 380 mil num celular é, para alguns, um capricho de fim de semana. A discussão sobre o zodíaco, aqui, não é sobre qual é o seu signo; é sobre em qual planeta vivem os que podem comprar esse aparelho.
Perguntas frequentes
Quanto custa o iPhone Duo da coleção Zodiac?
As versões de entrada custam US$ 15 mil, cerca de R$ 82 mil. A configuração mais cara testada pelo Estadão chegou a US$ 70 mil, pouco mais de R$ 380 mil.
O que pode ser personalizado no iPhone Duo Zodiac?
O comprador pode alterar frame lateral, carcaça, cores, texturas, materiais e metais, com mais de um milhão de combinações possíveis, incluindo meteorito, ouro, diamantes e couro de crocodilo.
Quanto custa o iPhone Duo comum no Brasil?
A versão regular do dobrável da Apple é vendida por R$ 21.999 no país, segundo o Estadão.
