Quatro dias após chegar às lojas, em 23 de outubro de 2026, o primeiro celular dobrável da Apple já enfrenta uma enxurrada de reclamações de clientes que relatam rachaduras na tela interna, junto à dobradiça, depois de poucas horas ou dias de uso. O iPhone Duo, vendido por US$ 1.999 e chegando a R$ 31 mil no Brasil, segundo o Diário do Pará, estreia com a promessa de inovar, mas entrega dúvidas sérias sobre durabilidade.
A reportagem é baseada nas informações reunidas pela revista VEJA, que compilou as primeiras avaliações da imprensa especializada sobre o aparelho. O quadro que emerge é o de um lançamento apressado, caro e com problemas que a Apple ainda não explicou.
Quais são as falhas relatadas no iPhone Duo?
As reclamações se concentram na tela interna de 7,6 polegadas. O O Globo reportou que um número crescente de clientes afirma que a tela trincou após apenas algumas horas ou dias de uso. O IG Magazine informa que compradores ao redor do mundo relatam falhas graves tanto na tela quanto na dobradiça, e que a Apple tem oferecido trocas sem custo.
Compradores divulgaram imagens de rachaduras próximas à dobradiça, e um teste informal de laboratório mostrou dificuldades no fechamento do aparelho após contato com areia e poeira, segundo o CenárioMT. Segundo relatos reunidos por veículos especializados, alguns aparelhos apresentaram danos acompanhados de linhas brilhantes de pixels na tela, como noticiou o Tecnoblog.
A causa das falhas ainda não foi determinada, e não há dados suficientes para concluir que o problema seja generalizado. Mas, para um aparelho que custa o preço de um carro popular usado em vários estados brasileiros, a dúvida já é motivo mais que suficiente para desconfiança.
Vinco e durabilidade: o teste que preocupa
O vinco no centro da tela é pouco perceptível em comparação com outros dobráveis, mas não desaparece completamente. A revista Wired elogiou o acabamento de nanotextura, que dispersa a luz e reduz reflexos na região da dobra. O Tom's Guide, por sua vez, destacou que a marca ainda pode ser percebida dependendo do ângulo de visão e da iluminação.
Mais grave é o resultado do teste de resistência reportado pelo Android Authority: após 10.500 ciclos de abertura e fechamento, o vinco ficou mais profundo e visível, embora a dobradiça continuasse funcionando normalmente. Somado aos relatos de telas rachadas poucos dias após o lançamento, o teste levanta a pergunta que nenhum consumidor deveria precisar fazer: por que pagar uma fortuna por um produto que pode não sobreviver ao uso cotidiano?
US$ 1.999: para quem a Apple fabrica esse celular?
O preço de US$ 1.999 restringe o público do primeiro dobrável da Apple a uma fatia mínima da população. No Brasil, onde a tributação e o câmbio empurram o valor para a casa dos R$ 31 mil, o aparelho é acessível apenas às camamas mais ricas.
O Tom's Guide observou que o valor é comparável ao de outros dobráveis premium, mas pode afastar consumidores que não precisam de um híbrido de celular e tablet. A Wired deu nota 7 de 10 ao aparelho: elogiou a construção e a dobradiça, mas apontou o peso elevado e a falta de otimização dos aplicativos.
Aplicativos mal adaptados e multitarefa limitada
De que adianta uma tela de 7,6 polegadas se os aplicativos não a aproveitam? O The Verge apontou que diversos programas mantêm barras pretas nas laterais e interfaces projetadas para celulares convencionais, reduzindo o espaço útil.
A publicação também criticou as restrições da multitarefa no iOS 27. Ao contrário de dobráveis com Android, o Duo não permite ajustar livremente a proporção das janelas divididas nem adicionar um terceiro aplicativo flutuante. Para o The Verge, essas limitações comprometem o potencial do aparelho como ferramenta de trabalho.
Aquecimento e peso completam o pacote de problemas
O Tom's Guide constatou aquecimento acima do normal durante tarefas exigentes, com temperaturas alguns graus superiores às do Galaxy Z Fold 8 da Samsung. O The Verge relatou que o aparelho esquenta durante uso prolongado da câmera, principalmente com as duas telas ligadas, e que o calor pode provocar lentidão perceptível.
O peso de 254 gramas também foi apontado como fonte de desconforto em uso prolongado. Nada disso invalida o produto por completo, mas soma-se ao quadro de um lançamento que parece ter chegado às prateleiras antes da hora.
O que isso diz sobre a indústria de tecnologia
Há uma lógica perversa nesse ciclo: fabricantes lançam novidades a preços proibitivos, a imprensa especializada aplaude o design, e os primeiros compradores, aqueles que pagam mais para ter o produto primeiro, viram cobaias de testes que a empresa deveria ter feito antes. Quando a tela trinca, a troca é feita sem custo, mas o tempo perdido e a frustração não têm reembolso.
Para a imensa maioria dos brasileiros, o iPhone Duo é um objeto distante, quase abstrato. Mas o episódio ilustra algo concreto: a corrida por novidade a qualquer preço raramente beneficia quem trabalha para viver. A Apple ainda não se pronunciou sobre a causa das rachaduras. A resposta, quando vier, dirá muito sobre o respeito da empresa por quem gastou uma pequena fortuna em seu produto.
Perguntas frequentes
O que está acontecendo com o iPhone Duo?
Clientes relatam rachaduras na tela interna, junto à dobradiça, poucos dias após o lançamento em 23 de outubro de 2026. A Apple oferece trocas sem custo, mas não explicou a causa das falhas.
Quanto custa o iPhone Duo?
Nos Estados Unidos, o aparelho foi lançado por US$ 1.999. No Brasil, o preço chega a R$ 31 mil, segundo o Diário do Pará.
O problema afeta todos os aparelhos?
Não há dados suficientes para concluir que o problema seja generalizado, mas um teste com 10.500 ciclos de dobra mostrou aprofundamento do vinco na tela.
