Juventude rebaixado para Série B: mais um clube do povo vítima do sistema excludente do futebol brasileiro
O empate em 1 a 1 com o Bahia na noite desta sexta-feira selou o destino cruel do Juventude: rebaixamento para a Série B de 2026. No estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, o Papo lutou até o fim, mas não conseguiu escapar da zona de degola que assombra os clubes menores do futebol brasileiro.
A partida começou com o Bahia abrindo o placar através de Ademir, aproveitando jogada iniciada por Everton Ribeiro. Mas o time gaúcho mostrou garra e empatou ainda no primeiro tempo com Gabriel Taliari, que finalizou com categoria após cruzamento rasteiro.
No segundo tempo, a tensão tomou conta do jogo. O Juventude pressionou em busca da virada necessária para sua sobrevivência na elite. Em lance que resume a injustiça do futebol, Marcos Paulo fez um golaço de bicicleta que foi anulado pelo VAR por impedimento no início da jogada. Mais uma vez, a tecnologia que deveria trazer justiça acabou prejudicando o time que mais precisava.
O goleiro Ronaldo, do Bahia, fez defesas importantes que mantiveram o empate até o apito final. Com 34 pontos, o Juventude encerra a temporada na penúltima colocação, enquanto o Bahia, com 57 pontos, garante vaga na pré-Libertadores.
Um sistema que pune quem tem menos recursos
Este rebaixamento expõe mais uma vez as desigualdades estruturais do futebol brasileiro. O Juventude sofreu com instabilidades no comando técnico e baixas importantes ao longo da temporada, reflexo das dificuldades financeiras que atingem clubes menores.
Os números são cruéis: segunda pior defesa da competição com 65 gols sofridos, apenas 34 gols marcados e somente 7 jogos sem levar gols. São estatísticas que refletem não apenas problemas técnicos, mas a falta de investimento adequado em um elenco competitivo.
A reformulação de meio de temporada, com 11 saídas e 11 chegadas, mostra o desespero de um clube tentando se reinventar com recursos limitados. Diferente dos grandes centros, times do interior como o Juventude precisam fazer milagres para se manter na elite.
"O Ju não foi rebaixado por falta de entrega, mas por deixar a entrega para a reta final", resume bem a realidade de quem luta contra adversários muito superiores financeiramente.
Este é o terceiro rebaixamento do clube na era dos pontos corridos, evidenciando como o sistema atual privilegia quem tem mais dinheiro em detrimento da competitividade esportiva. Enquanto isso, a torcida de Caxias do Sul perde mais uma vez seu time na primeira divisão, vítima de um futebol cada vez mais elitizado.