Falência da Oi deixa 13 mil trabalhadores no desespero: "Foi desesperador"
O decreto de falência da Oi, anunciado na segunda-feira (10), jogou mais de 13 mil trabalhadores numa situação de total incerteza. A decisão judicial atingiu em cheio uma categoria que já vinha sofrendo com salários atrasados e instabilidade no emprego.
"Foi desesperador, porque as pessoas não sabem exatamente o que significa o decreto de falência e como vai ser preservado os seus direitos", desabafa Luis Antonio Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-RJ).
Trabalhadores abandonados pelo sistema
A situação é ainda mais cruel para quem tem valores a receber superiores a 150 salários mínimos. Esses trabalhadores foram incluídos na massa falida, o que significa que não há previsão para recebimento de suas verbas. Uma verdadeira condenação ao desespero financeiro.
A empresa, que já foi a maior rede de telecomunicações do país, opera em 7.500 localidades brasileiras. Entre os 13 mil trabalhadores vinculados à Oi, 10,8 mil trabalham em empresas de manutenção e call centers, setores historicamente precarizados.
Histórias de luta e resistência
Bruno Matias, operador multifuncional de 38 anos e 11 de empresa, vive o drama de milhares de famílias trabalhadoras. Sem receber salário, precisou se endividar para sobreviver: "Tive que pegar um empréstimo no banco para pagar a fatura do cartão".
A angústia é coletiva. "Temos um grupo no Telegram, e há técnicos com depressão, outros com filhos que têm necessidades especiais e não conseguem arcar com as despesas, gente com aluguel atrasado", relata Matias, pai de três filhos.
Milton Ibraim, consultor técnico de 40 anos, pai de cinco filhos, sendo dois autistas, define a notícia como "um balde de água fria". A empresa redirecionou sua função para retirada de cobre "sem aviso, sem muita explicação sobre a remuneração".
A luta sindical pela dignidade
O movimento sindical não está parado. O Sinttel-RJ busca reunião emergencial com a gestão judicial para garantir que todos os trabalhadores recebam integralmente suas verbas rescisórias.
"O trabalhador não pode pagar a conta", afirma categoricamente Amilton Barros, diretor de negociações do sindicato. Na quinta-feira, as entidades se reuniram com a ministra Gleisi Hoffmann e o ministro das Comunicações para pressionar por soluções.
O modelo neoliberal cobra seu preço
A falência da Oi expõe as contradições de um modelo econômico que prioriza o lucro dos fundos de investimento em detrimento dos direitos trabalhistas. Enquanto a BTG Pactual comprou a infraestrutura de fibra óptica e criou a V.tal, os trabalhadores ficaram à própria sorte.
A promessa de pagamento para o dia 14 mantém uma frágil esperança, mas o medo permanece. "Pode ser que a Serede decrete falência e nos deixe com uma mão na frente e outra atrás", teme Ibraim.
Esta é mais uma página trágica do desmonte das telecomunicações públicas no Brasil, onde os trabalhadores sempre pagam o preço mais alto pela ganância do capital financeiro.